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Gestão financeira

O que é DRE (Demonstração de Resultado) e como fazer o seu

Faturar bem não é o mesmo que dar lucro. Muita empresa vende muito e ainda assim fica no vermelho, porque o dinheiro que entra se perde em custos e despesas que ninguém somou. A DRE é o relatório que resolve exatamente isso: ela pega tudo o que entrou e tudo o que saiu num período e mostra, lá no final, se você ganhou ou perdeu dinheiro.

Neste guia você vai entender, em linguagem simples, o que é a DRE, pra que ela serve, qual a estrutura dela e como montar a sua passo a passo. No fim, tem um exemplo numérico completo de uma pequena empresa para você usar de modelo.

O que é DRE em linguagem simples

DRE é a sigla de Demonstração do Resultado do Exercício. Apesar do nome técnico, a ideia é bem direta: é um resumo organizado do quanto sua empresa ganhou e gastou em um período (um mês, um trimestre ou um ano) para revelar o resultado final, o lucro ou o prejuízo.

Pense nela como uma conta de subtração em camadas. Você começa pela receita (tudo que vendeu), vai descontando, em ordem, os custos e as despesas, e o que sobra no final é o seu resultado. Se sobrou dinheiro, lucro. Se faltou, prejuízo.

É importante não confundir DRE com fluxo de caixa. O fluxo de caixa mostra o dinheiro entrando e saindo da conta no dia a dia (quando você recebeu e quando pagou). A DRE mostra o resultado do negócio no período, independentemente de quando o dinheiro bateu na conta. Você pode ter caixa cheio e prejuízo, ou caixa apertado e lucro. São fotos diferentes da mesma empresa, e você precisa das duas.

Pra que serve a DRE: o que ela te mostra

A DRE existe para responder a uma pergunta que parece simples mas tortura muito empreendedor: meu negócio está dando lucro de verdade? Olhando só o saldo do banco, você não sabe, porque o saldo mistura coisas (uma venda parcelada, um boleto que ainda vai vencer, um empréstimo que entrou). A DRE separa tudo isso e te entrega clareza. Com ela você consegue:

A estrutura da DRE: receita, custos, despesas e lucro

A DRE sempre segue a mesma lógica de cima para baixo. Você parte da receita e vai subtraindo, em blocos, até chegar ao resultado. Estes são os degraus principais:

  1. Receita bruta: tudo o que você vendeu no período, sem tirar nada ainda.
  2. (-) Deduções: impostos sobre a venda (Simples, ICMS, ISS), devoluções e cancelamentos. Receita bruta menos deduções é a receita líquida.
  3. (-) Custos (CMV ou CSP): o que custou produzir ou comprar exatamente aquilo que você vendeu. Numa loja, é o custo da mercadoria vendida (CMV); num serviço, o custo do serviço prestado (CSP). Receita líquida menos custos é o lucro bruto.
  4. (-) Despesas operacionais: o que mantém a empresa de pé, independentemente de uma venda específica. Aluguel, salários e encargos, energia, internet, marketing, contador, software. Aqui também entram as taxas de máquina de cartão.
  5. (=) Resultado operacional: lucro bruto menos as despesas. É o quanto a operação em si gerou.
  6. (+/-) Receitas e despesas financeiras: juros que você pagou em empréstimos, rendimento de aplicação, multas. Depois disso, chega-se ao resultado (lucro ou prejuízo) do período.

Dica de ouro: a diferença entre custo e despesa confunde quase todo mundo. Custo é o que está colado na venda (a mercadoria, a matéria-prima). Despesa é o que você pagaria mesmo sem vender nada naquele mês (aluguel, salário fixo). Separar os dois é o que faz a DRE virar uma ferramenta de verdade.

Como montar a sua DRE passo a passo

Você não precisa de software contábil caro nem de fórmula complicada para começar. Precisa de organização. Siga esta ordem:

  1. Defina o período. O mais comum (e mais útil para tomar decisão) é fazer a DRE mês a mês.
  2. Some toda a receita do período. Todas as vendas, à vista e a prazo, de todos os canais. Esse é o ponto de partida lá no topo.
  3. Liste e some as deduções. Impostos sobre as vendas e eventuais devoluções. Subtraia da receita bruta para achar a receita líquida.
  4. Levante os custos das vendas. Quanto você gastou comprando ou produzindo o que vendeu naquele mês. Subtraia para chegar ao lucro bruto.
  5. Agrupe as despesas por categoria. Não jogue tudo num monte só. Separe em pessoal, ocupação (aluguel, energia), vendas/marketing, administrativo, taxas. Categorizar é o que mostra onde está o problema.
  6. Subtraia as despesas do lucro bruto para chegar ao resultado operacional.
  7. Ajuste o financeiro. Some rendimentos, subtraia juros e multas. O número final é o seu lucro (ou prejuízo) do período.
  8. Repita todo mês e compare. O valor de uma DRE isolada já ajuda, mas é na sequência de meses que você enxerga tendência e age a tempo.

O ponto mais importante: a DRE só vale o que valem os lançamentos por trás dela. Se você anota tudo o que entra e sai, com a categoria certa, montar a DRE vira quase automático. Se os dados estão soltos em vários cadernos e planilhas, a DRE vem errada, e uma DRE errada engana mais do que ajuda.

Exemplo de DRE simples de uma PME com números

Vamos a um exemplo concreto. Imagine a Loja Bom Preço, um comércio de pequeno porte, fechando o mês. Veja como a DRE dela fica:

Demonstração do Resultado — mês de maioValor (R$)
Receita bruta de vendas80.000
(-) Impostos sobre vendas (Simples)-4.800
(-) Devoluções e cancelamentos-1.200
(=) Receita líquida74.000
(-) Custo da mercadoria vendida (CMV)-38.000
(=) Lucro bruto36.000
(-) Salários e encargos-12.000
(-) Aluguel e energia-6.500
(-) Marketing-2.000
(-) Taxas de máquina de cartão-1.600
(-) Despesas administrativas (contador, software, etc.)-1.900
(=) Resultado operacional12.000
(-) Juros de empréstimo-1.500
(=) Lucro líquido do mês10.500

Repare no que a tabela revela e o saldo do banco esconderia. A Loja Bom Preço vendeu R$ 80 mil, mas o lucro real do mês foi de R$ 10.500, cerca de 13% sobre a receita bruta. O custo da mercadoria sozinho comeu quase metade da receita líquida, e a folha de pagamento é a maior despesa. Se no mês seguinte o dono der um desconto agressivo para vender mais, ele consegue ver na hora se aquilo aumentou o lucro ou só inflou o faturamento sem sobrar nada. É essa leitura que transforma a DRE de um relatório burocrático em um instrumento de decisão.

DRE no automático

Montar a DRE na mão, mês após mês, dá trabalho e abre espaço para erro: uma conta esquecida, uma categoria trocada, um mês que ninguém fechou. O caminho mais sustentável é deixar o sistema fazer a conta a partir do que você já registra no dia a dia.

É exatamente isso que o GestaoPay faz. Você lança suas contas a pagar e a receber, acompanha o fluxo de caixa e, se quiser, usa a conciliação bancária para bater os lançamentos com o extrato. Com esses dados organizados, o sistema gera a DRE automaticamente e os demais relatórios do período. Sem planilha, sem fórmula, sem fechar o mês na correria. Você abre o relatório e vê, na hora, se a empresa está dando lucro.

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